Francisco Graciano e seu filho, Giovane Cardoso, são notáveis pintores e escultores do Ceará, dando continuidade ao legado artístico da família iniciado pelo avô, Manoel Graciano. Desde cedo, ambos foram moldados no âmago de um ambiente fervilhante de arte, onde a prática artística era parte do cotidiano, despertando neles um talento e paixão que se revelaram muito cedo.
Criados em Brejo Santo, no Cariri cearense, vivenciaram um ambiente culturalmente fértil onde as tradições dos povos indígenas Kariri e manifestações como Coco, Boi, Reisado e Maracatu influenciaram profundamente suas criações. Desde a infância, exploraram a madeira e a pintura, criando brinquedos e suas primeiras peças, seguindo os passos do avô e do pai.Atualmente, ambos desenvolvem suas obras de forma independente, cada um com um estilo próprio, mas unidos pela continuidade de um vibrante legado estético familiar.
O processo criativo de Francisco e Giovane começa com a preparação meticulosa de suas telas, cortadas de rolos de lona de algodão e tratadas com tinta acrílica branca. Ao aplicar pigmentos e criar cores vibrantes, evitam esboços preliminares, permitindo que a arte se desenvolva de maneira espontânea e orgânica. As composições resultantes são dinâmicas e repletas de movimento e surrealismo, com cenas fluidas que parecem ganhar vida própria, convidando diferentes interpretações a cada novo olhar.
Essa abordagem única permite que cada pintura conte uma história distinta, com cores e figuras emergindo de um processo intuitivo que não se limita a narrativas pré-definidas. A tela, ao ser concluída, revela um universo de interpretações, onde cada observador é convidado a descobrir suas próprias leituras e significados. Sua arte convida o público a explorar e apreciar a profundidade e a beleza das tradições do Cariri, não apenas honrando sua herança cultural, mas também celebrando a força e a vitalidade do imaginário nordestino.
A arte da família Graciano transcende fronteiras pessoais, desempenhando um papel crucial na valorização e difusão da cultura nordestina. Suas criações expressam resistência e continuidade cultural, exaltando a arte popular como símbolo de identidade nacional e orgulho regional. Como embaixadores culturais, eles promovem a rica herança do Brasil para o mundo, celebrando a vitalidade e a força do imaginário nordestino.